Penso que conhecer o passado é essencial para entender nossa trajetória, nossos objetivos, nosso modo de vida. Toda vez que perdemos um familiar, especialmente os de mais idade perdemos uma importante fonte de conhecimento do passado de nossa família. Quem sabe dizer quando nasceram seus bisavós? O que fizeram? Onde moram? Qantos filhos tiveram? Enfim, quando resolvi fazer este trabalho fui, entre outras coisas, motivado pela preocupação de não perder a conexão entre o meu futuro e de meus familiares com o passado vivido pelos meus antepassados. Esta pesquisa já imortalizada no livro lançado em agosto de 2012 e agora disponibilizada na internet é a possibilidade real de manter viva, histórias, datas e pessoas que fazem parte da vida de todos citados aqui, e, portanto fazem parte de nossa família. Por falar sem família uma pergunta que costumeiramente fazemos é: Qual o tamanho de nossa família? Até que grau de parentesco consideramos para compor nossa família? Quando se deixa de ser parente para sermos apenas descendentes de um longínquo ascendente em comum? É evidente que embora se tenha ascendentes em comum, ou seja, embora tenha-se laços de sangue, a partir dos filhos de nossos primos ou de nossos tios-avós, por exemplo, deixamos de ter uma afinidade parental como temos com nossos irmãos, tiose primos em primeiro grau. Os filhos de nossos primos, de nossos tios-avós, com o passar do tempo vão se tornando parentes distantes até muitas vezez, desaparecerem naturalmente de nossas vidas passando a ser desconhecidos para nós, especialmente os que não têm o mesmo sobrenome que o nosso. Claro que existem raras exceções mas, via de regra, nossos primos em segundo, terceiro, quarto grau, vão se transformando em meros desconhecidos de nossas vidas e por vezes cruzam nossos caminhos, sem que jamais saibamos se tratar de parentes e parte de nossa família. A manutenção e a aproximação destes, menos comuns laços familiares, vai depender de nosso interesse em manter viva tal ligação familiar, mas antes de tudo dependerá de sabermos que existe uma ligação familiar, ou seja, de conhecermos a história de nossa família. Disso tudo nasceu este trabalho que procura, portanto e também, reaproximar os parentes, especialmente os distantes geograficamente, servindo pois de um guia de referência e consulta para quando deparamos com um sujeito que cruza nossa vida por acaso e diz ter este ou aquele sobrenome, ser descendente deste ou daquela pessoa, ou ser desta ou daquela cidade que sabemos que temos um parente distante, pedirmos um minuto para olhar o ‘site’ ou pegarmos o livro e conferimos se se trata de alguém, que embora distante, é parte de nossa família, possibilitando nascer a partir daí uma forte afinidades que pode unir ou reunir pessoas que têm DNA’s comuns.
Atualmente é crescente o interesse pela genealogia, fenômeno que leva tantos outros a práticas de “fuçar coisas passadas”, expressão às vezes utilizadas para definir genealogistas. O interesse pelo passado familiar às vezes resumido na genealogia familiar tem levado aos curiosos descobrirem suas raízes e aos olhares dos mais atentos a origem de um povo, sua época, sua vida social, etc.
Indiscutivelmente a genealogia ampliada tende a ser uma fonte preciosa de pesquisa para a história, uma vez que se estuda as famílias, suas composições, posições sociais, onde viviam, bem como em maior escada, estuda-se a formação, de um povo, sua formação étnica, sua cultura, etc. È evidente que o interesse da grande maioria das pessoas pela genealogia nos dias de hoje limita-se à possibilidade de adquirirem uma cidadania Européia, ou apenas a satisfação pessoal do descobrimento de seus antepassados, mas indiscutivelmente a genealogia é uma ciência que caminha junto a história, sociologia e antropologia.
Genealogia, do latim, como genealogia, do grego, compreendem numa análise etimológica da palavra: Gen, geneo = que gera ou raça e Logos = discurso, ciência, ou seja, linhagem, descendência das famílias. Genealogista, por sua vez, do latim Genealogus, é a pessoa versada em genealogias, ou seja, é aquele que traça árvores genealógicas. “Ocupa-se a genealogia do estudo das sucessões das famílias”, definição ofertada segundo César Cantu.
Cardoso de Miranda, insigne genealogista, assim expendeu sobre conceitos de genealogia em sua belíssima obra, Ciclo das Gerações: “A genealogia como ciência não se restringe a investigação exclusiva de árvores nobiliárquicas, mas a reconstituição de todas as famílias, por mais modestas, no sentido de buscar a contribuição pessoal de engrandecimento da Pátria”, melhor definição não nos poderia ser dada senão pelo excelso Rui Barbosa “…não é um sistema, nem uma seia, nem um monopólio, nem uma forma de governo, é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da Lei, da língua e da liberdade.”
Até bem pouco tempo a genealogia era considerada um tipo de pesquisa histórica inferior, pois apenas estava a serviço, principalmente no Brasil, de uma maioria de interesseiros, ainda mistificados pelo aspecto fútil da nobreza familiar, dispostos a remexer o passado em busca de títulos de nobreza, ou coisa que o valha.
Com o tempo o método genealógico passou a ser utilizado para remontar o passado, despindo-se da versão das classes dominantes. Hoje esta ciência esta a serviço da História como fonte complementar e até mesmo fundamental em certos momentos históricos, ao privilegiar a investigação documental, ela retrata com mais nitidez os fatos de determinados períodos. No campo individual a pesquisa genealógica tem-se demonstrado útil aqueles que almejam saber sobre a sua origem familiar ou até mesmo àqueles oriundos de imigrantes europeus que buscam através de seu estudo a viabilidade de adquirirem outra cidadania.
Existe no Brasil, de quase 200 milhões de habitantes, uma cortina de fumaça que encobre o passado da maioria esmagadora da população brasileira que ao tentar restabelecer sua linha de ascendência, em grande parte, não consegue ir além dos nomes dos avós ou bisavós.
Na verdade o interesse pela genealogia, vem trazer resposta ao latente interesse mundial em descobrir mais sobre o passado e a origem das famílias, sua história e contribuição para o engrandecimento da sociedade. Hoje há estandes que geralmente estão em Shoppings, aeroportos, e grandes festas contendo serviços informatizados para saciar a curiosidade de pessoas sobre seus antepassados, contendo a origem de cerca de 500.000 sobrenomes e 200.000 brasões de famílias, dados esses
14