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FRANCISCO COMPTON D’ELBOUX
Sargento-mor de São Paulo

Francis Compton D’Elboux[1] nome inglês, François nome francês, já que sua origem paterna é francesa ou ainda Francisco Compton D’Elboux I, em português, nasceu aos 22 ou 28.JUL.1768 em Londres e foi batizado[2] aos 07.AGO.1768 em Saint James Church Londres, Inglaterra e faleceu com testamento[3] e inventário[4]aos 12.ABR.1816 em São Paulo[5] na rua Santa Teresa onde morava. Francisco Compton D’Elboux era o primeiro filho de François Louis D’Elbouxque que nasceu em Marseille[6] na França entre as décadas de 1730 ou 40. François Louis imigrou da França para Inglaterra provavelmente em meados das décadas de 1750 ou 60, possivelmente diante da perseguição da França aos protestantes, chamados de huguenotes[7] e casou-se com a inglesa Hanna English (Compton) aos 13.SET.1767 na igreja de Saint James, Westminster, Londres, Inglaterra através de autorização do bispo da Inglaterra expedida aos 12.SET.1767, portanto, Francisco Compton D’Elboux era filho de pai francês que imigrou para Inglaterra e de mãe inglesa.

François Louis D’Elboux, pai do tronco deste título, trabalhava como cozinheiro em Londres para Lady Leveson Gower e seus cinco filhos[8] foram matriculados na French Protestant School of Westminster, escola dedicada a pessoas de ascendência Huguenote[9].

 


[1] A origem do sobrenome D’Elboux, segundo descobrimos, decorreria daqueles que são próprios de uma localidade possivelmente chamada “Elboux” e outra de nome Derboux (hameau de Derbous), cidade de Mondragon, Vaucluse, bem próximo a Marseille. Outros dizem que a terminação “x”, junto a “boux”, de origem indubitavelmente francesa, denotaria que a família prestou serviços ao rei, enquanto o D maiúsculo seria relacionado à detenção de título nobiliárquico. O sobrenome D’Elboux é encontrado atualmente em diversas cidades brasileiras tais como: Itu, São Paulo, Sorocaba, Piracicaba, Santa Barbara D’Oeste e Charqueada e em outras cidades. Também encontramos na Australia (em Canberra e Sydney), bem como na África do Sul, (em Mossel Bay, Eastern Cape). Há também D’Elboux(s) em Londres e na cidade de Bath & Hull na Inglaterra

[2] Segundo a certidão de casamento de Francisco Compton D’Elboux em Santana do Parnaíba o mesmo nasceu em Londres e foi batizado em Lisboa, mas não acreditamos que tenha sido batizado em Portugal, contudo, é provável que tenha tido algum vínculo com o País, onde deve ter aprendido a língua e o motivado para imigrar para o Brasil, então colônia de Portugal.

[3] Em seu leito de morte Francisco Compton D’Elboux declarou em testamento ter tido 3 filhos do seu casamento: Frederico, Francisco e Thomas e 2 filhos naturais, provavelmente nascidos antes de seu matrimônio: Carlos Augusto e Maria Amália. Pediu para ser sepultado na igreja da Misericórdia (Construída em 1796 perto das ruas Alvares Penteado, Direta e praça do Patriarca e Sé e foi demolida em 1886). Deixou seus pertences de prata e sua escrivaninha para seu amigo, o cirurgião-mor Thomas Gonçalves Gomide; dois escravos a sua filha Maria e de sua terça parte, divido-a em 4 partes deixando uma a sua afiliada Maria e 3 partes para seu filho Carlos Augusto e seus serviços militares ao seu filho Thomas que nomeou-o inventariante, sendo seu tutor, seu padrinho e amigo de seu pai, Thomas Gonçalves Gomide. Na época a legislação de sucessões brasileira só permitia que se reservasse para testamente a terça parte dos bens deixados aos filhos, ficando estes com 2/3 restantes da metade dos bens já que a outra metade era do cônjuge meieiro.

[4] Somente foi possível alterar o nome deste título (Almeida para D’elboux) e seu tronco (Carlos Auguso D’Elboux para Francisco Compton D’Elbou) porque consultamos alguns inventários nos últimos meses do ano de 2013 e por fim o inventário de Francisco Compton D’Elbou em 17.JAN.2014 no Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, através do qual concluímos a descendência do tronco. Também consultamos os inventários de Maria Amália D’Elboux, Carlos Augusto D’Elboux e sua primeira esposa, Gertrudes Joaquina de Almeida, Francisco Compton D’Elboux II e Delfina Maurício de Lacerda D’Elboux, todos do Arquivo Público do Estado de São Paulo.

[5] No inventário de 380 páginas do tenente coronel Francisco Compton D’Elboux, entre outros bens, constamos que o mesmo deixou duas casas na vila de São Paulo: Uma onde faleceu e provavlemente residia situada na rua Santa Teresa, bem próxima ao Largo da Sé (sobrado, 3 lanços, pilão e tehas) e outra na rua São Bento (terrea, 2 lanços, pilão e telhas) e 6 escravos. Também é digno de nota os 64 livros em três línguas (português, inglês e francês) que deixou, citados inclusive no livro Os caminhos da riqueza dos paulistanos na primeira metade do oitocentos da professora Maria Lucília Viveiros de Araújo, 2006, que Francisco o que era raro na época e demonstrava sua erudição.

[6] Descobriu-se em Marseille o casamente de um certo Pierre Delboux nascido em Ceyras com Marguerite Besson aos 17.MAR.1722 na igreja Paroisse St Laurent, os quais podem ser os pais de François Louis D’Elbou, pai do tronco deste título, Francisco Compton D’Elboux.

[7] Huguenotes era a expressão dado por católicos franceses para destinar os protestantes calvinistas a partir da Reforma do século XVI. Os protestantes, especialmente os calvinistas, sofreram fortes perseguições relacionadas a sua fé. Esses protestantes fundaram em 1559 uma igreja na França que grassou como um rastilho de pólvora. Emergiram vitoriosos sobre as forças católicas durante as Guerras Religiosas (1562-98) e, pelo Edito de Nantes, receberam uma certa liberdade religiosa e política.

[8] Os pais do tronco deste título tiveram 5 filhos: 1) Francois (Francisco) Compton D’Elboux I (tronco deste título); 2) Hannah D’Elboux n. aos 28.NOV.1770, batizada em Saint Georges Hanover Square em 16.DEZ.1770, casada aos 01.FEV.1790 em London, England com Thomas William Webb; tiveram uma filha, com nome desconhecido, possivelmente também Hannah, mencionada por Francis Compton D’Elboux em carta enviada do Brasil para seu cunhado Thomas William Webb aos 14.JAN.1814; 3) Thomas D’Elboux n. aos 10.ABR.1772, batizado em St. Georges’s Hanover Square aos 01.MAIO.1772. Casou-se em 1793 com Anne Ogbourne; 4) Louis D’Elboux n. aos 09.FEV.1774 as vezes referido erroneamente como Lewis, casou-se (possivelmente já tendo casado uma primeira vez e depois) com Susannah Westaos 21.JUN.1803 em Richmond, Saint Mary Magdalen, Richmond, Surrey, England com descendência descrita num anexo no final e 5) Sarah Caroline D’Elboux n. aos 01.AGO.1776. Batisada em St James Church Westminster aos 08.AGO.1776. Casou-se com Louis Grant aos25.FEV.1808 em St. Martin in the Fields, Westminster, Londres, Inglaterra e falecida aos 29.ABR.1860 em Ormiston Haddington, Scotland, UK, e foi enterrada em Saint Cuthbert Church Yard – Scotland. Todos os filhos, exceto o tronco deste título, permaneceram na Inglaterra, onde nasceram.

[9]Informações disponíveis em livro escrito pelo secretário William Morris Beafort da Sociedade Huguenote, em 1884, chamado “Huguenot Society Proceedings” volume 1, pg. 356-8. Há neste livro uma listagem de alunos da “Escola Protestante”, fundada em 1747 na Inglaterra, por um refugiado huguenote rico. Nesta listagem de alunos encontra-se o nome dos 5 filhos do casal François Louis e Hanna. Também lá há menção de que Mad. Leveson-Gower solicitou a aceitação das crianças na escola, por carta datada de 16.MAR.1778, em que afirma que François, pai de 5 filhos, foi seu cozinheiro, e estava sofrendo de Gout (doença das juntas). Ele nasceu em Marseille na França, e nunca se naturalizou inglês. Isto é a informação que se encontra no “Proceedings”, mas a carta ainda precisa ser localizada junto aos documentos originais desta escola. Especula-se que provavelmente François viajava com Mad. Leveson-Gower para outros países

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