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ATIBAIA, ASPECTOS HISTÓRICOS

A fundação de Atibaia foi oficialmente atribuída a Jerônimo de Camargo, contudo há historiadores como Afonso de Freitas in “Dicionário Histórico, Topográfico, etnográfico do Município de São Paulo”, edição de 1930 e outros que atribuem a fundação da cidade ao padre Matheus Nunes de Siqueira, alegando que Jerônimo de Camargo ao instalar-se nas margens do rio Atibaia e iniciar a formação de um Vila lá já encontrava-se o Padre Matheus Nunes de Siqueira juntamente com uma comunidade de índios Guarulhos.

Todavia, eu particularmente sou mais favorável a tese defendida por inúmeros genealogistas e historiadores, entre eles: Luiz Gonçaga da Silva Leme em: Genealogia Paulista; dr. Carvalho Franco, autor do primoroso trabalho: Os Camargos de São Paulo; Nelson Silveira Martins em sua obra: Atibaia, o paraíso quase impossível; Waldomiro Franco da Silveira, autor entre outros de: História de Atibaia e pelo admirável historiador, folclorista, advogado e político, João Batista Conti em sua obra: Dicionário Histórico e Geográfico de Atibaia, os quais defendem a tese que foi o Padre Matheus Nunes de Siqueira quem aproveitou das benfeitorias já existentes no embrião da Vila de Atibaia formada por Jerônimo de Camargo para em 1665 deixar os índios por ele catequisados na sem dúvida já existente Vila de Atibaia.

Acredito que Jerônimo de Camargo a frente de uma bandeira pelos sertões e ou fugindo de uma das brigas entre as célebres e rivais famílias Pires e Camargo de São Paulo, fixou as bases e deu início a Vila de Atibaia entre 1553 a 1660, portanto, entre cinco a doze anos antes da chegada do Padre Matheus Nunes de Siqueira.

A genealogia como braço que é da história, acaba dirimindo totalmente alguma dúvida que poderia existir sobre o estabelecimento de Jerônimo de Camargo em terras atibaianas, visto que parte considerável de sua descendência e da descendência de alguns de seus irmãos, especialmente de Marcelino de Camargo fincou raízes em solo atibaiano e isso nos faz concluir que esta gente toda, os Camargos, não se estabeleceriam em Atibaia não fosse a terra fundada ou ao menos povoada por seus antepassados. A genealogia, portanto, na ausência de provas históricas cabais que foi Jerônimo de Camargo o fundador de Atibaia, acaba não deixando dúvida alguma que Jerônimo e seu irmão Marcelino, entre outros Camargos, estiveram em Atibaia e com ela tiveram fortes relações, do contrário toda a descendência dos irmãos Camargos, não se estabeleceria nestas paragens. Se foi Jerônimo o primeiro a chegar e a fazer as primeiras benfeitorias em Atibaia ou se foi o padre Matheus Nunes de Siqueira, talvez, jamais saberemos, mas que sem dúvida Jerônimo e seus irmãos, especialmente Marcelino de Camargo, foram responsáveis pelo mando do novo povoado nos primeiros anos de sua existência, isso não temos nenhuma dúvida, e a genealogia, através deste modesto trabalho, nos dá fartas provas disso.

Portanto, para mim, não há nenhuma dúvida sobre a presença e a importância da família de Jerônimo e Marcelino, no nascimento e povoamento de Atibaia. As primeiras famílias atibaianas e seus primeiros governantes, têm o sangue espanhol dos Camargos, especialmente, de Marcelino de Camargo, considerado o Patriarca de Atibaia e cuja importância genealógica para cidade é maior que seu irmão Jerônimo.

Contudo, o título de único fundador da cidade atribuído a Jerônimo de Camargo carece, no meu ver, de provas históricas cabais, posto que não sabemos se tal atribuição é fruto de tradição oral, passada de geração a geração e, portanto, verdadeira, ou se foi uma versão histórica criada nos fim do século XIX ou começo do século seguinte para, quem sabe, legitimar ainda mais o poderio político dos Alvim, que cresceu a partir da proclamação da república na figura de Nhô Bim ou José Alvim de Campos Bueno que era sexto neto de Jerônimo de Camargo, de quem talvez tenha querido tornar o único fundador da cidade, legitimando ainda mais sua nascente liderança. Enfim, o mais prudente e correto fosse dizer que Atibaia foi povoada inicialmente, já que não gosto do termo, fundada, pela família ou irmãos Camargos, e não apenas por um de seus membros. Seja como for, os Camargos foram, incontestavelmente, os primeiros e principais povoadores de Atibaia, ou seja, a primeira família atibaiana e maior responsável por seu nascimento e povoamento.

Voltando aos historiadores, Nelson Silveira Martins e Waldomiro Franco da Silveira citam em seus trabalhos uma carta de sesmaria pela qual conclui-se que a posse das terras de Jerônimo de Camargo, onde hoje temos a bela cidade de Atibaia deu-se entre 1653 a 1660 e que o mesmo aqui chegou em razão dos conflitos políticos entre os partidos dos Pires e dos Camargos na Vila de São Paulo de Piratininga.

Para entender melhor sobre a fundação de Atibaia é necessário que façamos um breve comentário sobre o conflito entre Pires e Camargos.

A chegado dos PIRES em São Paulo: No ano de 1531 chegou ao Brasil a primeira expedição colonizadora chefiada por Martim Afonso de Souza. Entre os novos moradores da nova terra, encontra-se Salvador Pires, natural do Porto que foi casado com Maria Rodrigues. Salvador era filho do patriarca da família Pires do Brasil, João Pires. Os descendentes de Salvador Pires, que faleceu em São Paulo com testamento em 1592, formaram um clã político que dominou a política na vila de São Paulo aproximadamente nos seus dois primeiros séculos de existência.

A chegada dos CAMARGOS em São Paulo: Na última metade do século XVI chegou ao porto de São Vicente o castelhano Jusepe de Camargo, patriarca da família Camargo no Brasil que casou-se com Leonor Domingues, falecida em São Paulo com testamento em 1630 (descendente do colonizador João Ramalho) [todos, Salvador Pires, Jusepe de Camargo e João Ramalho são meus ascendentes], Jusepe de Camargo era filho de Francisco de Camargo e Gabriela Ortiz, natural de Castela.

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