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lingüinsticas e históricas deste sobrenome. Fica praticamente descartada que o mesmo derive do termo bétula que, no francês, subsiste na forma bouleau (pronúnicia, bulo), embora o vocábulo em si seja hereditário do latim bétula (evolui para o francês arcaico beula, depois boula e bouleau).

A única explicação que se encontra, por enquanto, para remontar às origens etimológicas de Bedore é através do sintagma francês bec – dorè (bico dourado) ou também do sintagma bec – d’or (bico de ouro). Esta segunda hipótese é, lingüisticamente, mais viável, uma vez que não pressupõe a supressãoposterior deacento tônico final para deslocá-lo á sílaba anterior.

Este duplo sintagma é formado por dois vocábulos distintos, ligados ou não pela preposição de. O primeiro remonta ao latim beccus, bico das aves. Na verdade, o termo latino é um empréstimo do celto ou gaulês bek ou beku e épouco usado no idioma latino, preferindo-se o vocábulo rostrum para designar a boca óssea das aves. De qualquer modo, o histoiriador Caius Suetonius Tranquillus (69-125) nâo usa em seu livro Vitellius [1,8]. Por outro lado, já no francês arcaico, o termo bec tem seu seu sentido transposto para o de boca, aplicado ao ser humano. São antigas as expressões francesas “avoir Ben bec” [ter bom bico, isto é, ter boa fala,boa fluência, facilidade em se expressar] e “clouer lê bc” [fechar o bico, isto é, calar, fechar a boca,emudecer-se].

O segundo elemento constitutivo dos sintagmas ou expressões remonta ao vocábulo latino aurum, ouro. No segundo sintagma, reflete de aurum, de ouro, que resulta em d’ouro primeiro, doré provém do termo latino deaureatus,dourado, composto claramente de de mais aureatus, com a junção em deaureatus [uma longa tem como resultante doré].

De acordo com esta interpretação, é fácil explicar o significado deste sobrenome. Teria surgido de um apelativo de cunho popular,conferido a cidadão de boa fala, de linguajar apropriado, de boa fluência, comunicativo. Dentro da termonologia francesa, poderia ter sido também aplicado a orador de palavra fácil e requintada, comunicador exímio,envolvente através da fala e do raciocínio expresso. Que o apelativo fosse aplicado também a bajulador, adulador,restaria conferir com mais precisão dentro da história lexical francesa, bem como dentro do contexto histórico e social medieval. Deve-se ter presente ainda que era bem a gosto dos cidadãos medievais atribuir apelativos figurados às pessoas. Os nomes dos animais faziam parte atribuir apelativos figurados às pessoas. Os nomes dos animais faziam parte da cultura popular,conferindo-os de modo figurado a portadores que relembrassem os atributos dos mesmos. Assim também, a expressão bec – d’or ou bec –  doré se refere a bico dourado, mas no sentido figurado pode qualificar pessoa de palavra apropriada e requintada, bonita de ser ouvida e apreciada, pessoa, portanto, que tinha uma boca de ouro, uma boca dourada.

Uma nota inda. O termo bec – doré designa também um pombo de bico e patas amarelas. Parece, contudo, que o sobrenome não tem realção com esta ave. Se tivesse, seria interpretado como indicativo de criador ou caçador e mercador de carnes dessa ave. Poderia também ser interpretado como apelativo popular que ressalta algum atributo do cidadão que recordasse esse tipo de pombo. O termo,porém, e muito recente.

 

SURGIMENTO DO SOBRENOME

            Na época do Império Romano,distinguiam-se as pessoas através do praenomem, nomem e cognomen. O primeiro representava o nome próprio de cada indivíduo;o segundo repetia a designação do clã ou da gens a que pertencia este indivíduo; o último se referia à família ou grupo familiar inserido na gens. Assim, no nome completo Marcus Tullius Cícero, o praenomen Marcus designa o rador e escritor; Tullius é o nomen derivado da gens Tullia; e Cicero, o cognomen da família em âmbito menor, inserida no grande clã, na assim chamda gens Tullia.

Com a queda do Império Romano, no ano 476 depois de Cristo, esta sistemática de individualização dos cidadãos, das famílias e dos clãs ou tribos, caiu em total desuso. Na Idade Média passou, pois, a vigorar tão somente o nome de batismo para designar,distinguir e caracterizar as pessoas. Torna-se fácil imaginar a confusão gerada por essa nova sistemática simplificada ao extremo. Com a larga influência do cristianismo que difundia nomes de seus santos, os antropônimos se tornaram de tal forma repetitivos que, a partir do século VII, surgiu a primeira fórmula moderna para distinguir um indivíduo de outro, ou seja, citando o nome do pai com expresso aposto ao do filho, como se pode observar neste exemplo: Paulus filius quondam Philippi = Paulo filho do senhor Filipe. Esta forma deu origem a muitos sobrenomes derivados de nomes próprios que são classificados como antroponímicos e patronímicos. A segunda formula criada nesse período acrescentava ao nome próprio da pessoa um cognome representativo da profissão, da cidade de origem ou do local de proveniência, de qualificação moral, de aparência física, de ato de bravura, de título de benemerência ou nobiliárquico, de posição e prestígio social, etc.

A segunda fórmula está, com certeza, na base da origem, formação e fixação do nome de família Bedore. Existe, portanto, um patriarca medieval chamado Bedore,por uma das razões apontada, Este patriarca fundador tornou-se o capostípite [fundador, inciador] de novo tronco familiar, ao repassar seu próprio cognome a seus filhos e aos demais descendentes. Pelo fato de Bedore ser usado como distintivo dos descendentes do patriarca fundador, tornou-se a Casata Del Bedore. O termo Casata ou Casato designava, de ínicio, o casarão ou casario em que habitava a geralmente numerosa descendência do capstípite ou patriarca, a cuja autoridade e tutela todos se submetiam. Posteriormente, o termo passou a indicar a própria família, a estirpe, o clã, o núcleo familiar que gravitava em torno do paterfamílias comum. Ao se referir a todos os filhos e demais descendentes desse patriarca, a expressão se pluralizou, resultando em Casata dei Bedore.

Nota-se que a elemento principal [Bedore] não assumiu a forma plural [do contrário, seria Bedori]. Este processo vale para a teoria que defende a origem latina e italiana deste sobrenome. A expressão Casata dei Bedore se simplificou depois, na fala

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