
Zeferino Alves do Amaral, também referido nas fontes como Zephirino ou Zepherino Alves do Amaral, foi um cirurgião paulista de grande destaque na primeira metade do século XX, reconhecido sobretudo por introduzir a anestesia regional intravenosa no Brasil. Natural de Atibaia, no interior de São Paulo, construiu uma trajetória que uniu formação médica sólida, prática cirúrgica de alto nível, docência, participação política e uma atuação filantrópica marcante em favor de sua cidade natal.
Além de sua relevância médica, seu nome ficou ligado a instituições de referência como a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e a antiga Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Sua memória também permanece associada a obras assistenciais, à proteção da infância, à puericultura e ao incentivo às artes, áreas em que deixou contribuições duradouras.
As fontes convergem ao indicar que Zeferino nasceu em Atibaia, filho de Claudino Alves do Amaral e Maria Jacintha da Silveira, também mencionada como Maria Alves do Amaral após o casamento.
Casou-se com Evelina Vairo o casal teve cinco filhos:
Claudino, Walter, Vera, Célia e Lia.
Os documentos o situam em uma família de projeção cultural e social. A Revista Brasileira de Anestesiologia afirma que era parente próximo da artista.
Zeferino iniciou os estudos médicos na Faculdade de Medicina da Bahia e concluiu o curso na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, formando-se em 1908.
A carta publicada em 2011 acrescenta que, em sua tese de doutorado, descreveu no mesmo ano um caso de actinomicose cérvico-facial, apontado como o primeiro relato brasileiro desse tipo registrado na fonte.
Após a graduação, viajou à Europa para aperfeiçoar-se em cirurgia. Os anexos mencionam Paris, a Alemanha, ou ambos os destinos. Em qualquer das versões, o ponto central é que seu aperfeiçoamento no exterior o colocou em contato com os trabalhos de August Karl Gustav Bier, experiência decisiva para sua atuação posterior.
Ao regressar ao Brasil, exerceu inicialmente a medicina em Bragança Paulista e em Atibaia. Depois, radicou-se em São Paulo, onde passou a atuar de modo mais intenso na Santa Casa de Misericórdia. Na Santa Casa, tornou-se assistente de Arnaldo Vieira de Carvalho, chefe da 2ª Cirurgia de Homens e figura respeitada no ensino médico paulista. Também exerceu funções docentes e de substituição em disciplinas como cirurgia e obstetrícia na então Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo.
Os documentos o apresentam como cirurgião experiente, de forte formação clínica, reconhecido tanto pela técnica operatória quanto pela atenção dispensada aos pacientes mais humildes. O testemunho publicado na carta de 2011 ressalta sua capacidade diagnóstica e a impressão duradoura que deixou em gerações posteriores de médicos.
O ponto mais célebre de sua carreira foi a introdução da anestesia regional intravenosa no Brasil, realizada em 1911 na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Por essa razão, Zeferino é lembrado como uma figura histórica da anestesiologia brasileira.
A carta comemorativa do centenário dessa introdução, publicada em 2011, detalha o método originalmente descrito por ele e mostra como vários procedimentos, materiais e recomendações da época diferem dos protocolos atuais. Ainda assim, o registro confirma o papel pioneiro de sua contribuição.
Sua produção científica não se limitou a esse feito. A mesma fonte assinala que deixou outros trabalhos publicados, inclusive sobre o valor cirúrgico da raquianestesia, reforçando sua inserção no debate médico de seu tempo.
Zeferino integrou o Colégio Brasileiro de Cirurgiões e participou da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, atual Academia de Medicina de São Paulo. Segundo a biografia institucional, presidiu essa entidade entre 1932 e 1933.
Também teve atuação política. Foi deputado estadual pelo Partido Republicano Paulista, na legislatura de 1928 a 1930, com atuação mencionada na Comissão de Agricultura, Colonização, Minas e Terras Devolutas.
Essa combinação de prática médica, vida acadêmica, participação associativa e atividade parlamentar revela uma presença pública ampla, que ultrapassou os limites do consultório e do hospital.
Os três documentos destacam seus serviços prestados à população de Atibaia. Em 1945, adquiriu e doou um imóvel na Praça Miguel Vairo para a instalação de um abrigo de menores, que recebeu o nome de sua mãe, Dona Mariquinha Alves do Amaral.
Em 1952, financiou integralmente a construção e a instalação do primeiro posto de puericultura de Atibaia, batizado com o nome de seu pai, Claudino Alves.
Admirador das artes, ergueu em sua fazenda, uma capela com projeto, peças e afrescos de Victor Brecheret. A obra foi posteriormente tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Atibaia.
Seu legado permaneceu visível em homenagens públicas: menções a busto, logradouros com seu nome e reconhecimento continuado por instituições médicas e pela própria cidade de Atibaia.
As fontes concordam quanto à data de falecimento: 13 de novembro de 1962, em São Paulo, pouco antes de completar 77 anos.
1. Biografia institucional da Academia de Medicina de São Paulo sobre Zepherino Alves do Amaral.
2. Carta ao editor da Revista Brasileira de Anestesiologia, 2011, em homenagem ao primeiro
centenário da introdução da anestesia regional intravenosa no Brasil.
3. Dicionário Biográfico de Ruas de Atibaia