brasileiro de família não nobre que descende de casas reais européias, dado a miscigenação e a distância dos graus de parentes não pode considerar-se nobre na concepção restrita da palavra.
Aproveitando essa introdução farei a seguir algumas considerações sobre minha ascendência, especialmente sobre meus bisavós, avós e pais.
Sobre os meus oito bisavós, dois (Ernesto Bedore e Virginia Basso) são imigrantes italianos originários da localidade Della Torre, entre as cidades de Este e Ospedaletto Eugano, na baixa Padova ou Euganea, Província de Padova, região do Vêneto, norte da Itália. Dois outros bisavós (Ermitão de Paula Freitas e Maria do Carmo Leite De Carlo) são paulistas, naturais de Atibaia e filhos de famílias quatrocentonas do Estado, cuja formação étnica deu-se do cruzamento de portugueses e espanhóis, estes em menor número, com as índias, dando origem a uma massa de mamelucos que desbravaram os sertões, através das bandeiras. Outro bisavô, Antônio De Carlo, é também natural de Atibaia filho de imigrantes italianos originários das cidades de Vinchiaturo e Baranello (família Terranova) e Guardiaregia (família De Carlo), todas da Província de Campobasso, Região de Molise na Itália central. Outra bisavó, Maria Joana Pires de Oliveira, também natural de Atibaia, era filha de mãe atibaiana mulata (Bárbara de Oliveira Cesar, filha de pai branco e mãe mulata ou negra) e pai também atibaiano, mulato ou mais certamente negro de origem africana, mas livre (João Pires Padilha), provavelmente filho de personagens da triste escravidão no Brasil. Dois outros bisavós (José Bacchiega e Ida Bassi) eram paulistas, filhos de imigrantes italianos, o primeiro natural de São Carlos, filho de imigrantes italianos de Rovigo e Cremona no norte da Itália e a segunda era natural de Taquaritinga, filha de imigrantes italianos originários das Províncias de Verona e Mantova, também no norte da Itália.
Quanto aos meus avós paternos, Oscar Bedore, era irmão e filho de italianos que imigraram definitivamente para o Brasil em 1913, já minha avó Iride Bachega Bedore, era filha de paulistas, nascidos no Estado alguns anos após a imigração de seu pais que deixaram a Itália para construir a América, portanto, era neta de italianos, consequentemente meu pai e seus quatro irmãos estão inseridos entre os aproximadamente 10% da poupulação brasileira que não têm nenhuma miscigenação na sua origem, tendo, portanto, ascendência única: a européia, mais precisamente a italiana.
Já meus avós maternos, fazem parte dos aproximadamente 90% da população brasileira que tem na sua ascendência uma rica mistura de raças. Meu avô materno, Roberto De Carlo, é filho de paulistas, neto pelo lado paterno de imigrantes italianos que se radicaram em Atibaia desde o final do século XIX e neto pelo lado materno de atibaianos e consenquentemente paulistas cuja ascendência remonta aos troncos de várias famílias trezentonas e quatrocentonas, cuja origem deu-se através do cruzamente de portugueses, espanhois e índios; já minha avó, Julieta Freitas de Carlos, era filha de pai paulista, neto de paulistas, cuja ascendência remonta também aos troncos de várias famílias trezentonas e quatrocentona, cuja origem deu-se através do cruzamente de portugueses, espanhois e índios e no caso dela de ingleses e franceses (D’Elboux), com mãe atibaiana e mulata, filha de mãe mulata clara e pai mulato ou negro, portanto, minha avó materna descende da mistura de brasileiros, descendentes de portugueses, espanhóis, franceses, ingleses com brasileiros, descendentes de negros africanos, trazidos como escravos para o Brasil. Consequentemente minha mãe, eu, e meus irmãos, evidentemente, estamos inseridos entre os aproximadamente 90% dos brasileiros cuja origem é decorrente da mistura mais variada de raças, ou seja, o verdadeiro retrato étnico do povo brasileiro. Recente estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais revelou que 87% dos brasileiros têm pelo menos 10% de genes de origem africana.
Considerando que somos fruto da genética de nossos ascendentes, temos que nossos pais são responsáveis, cada um, por 50% de nossos genes, ou que recebemos, em tese, 25% de genes de cada um dos avós, ou ainda, 12,5% de cada bisavós, ou ainda 6,25 de cada trisavó; 3,125 de cada tretravó; 1,5625 de cada pentavó ou 0.78125 de cada hexavó e assim sucessivamente. Concluí, a partir desta maluca divisão de nossa carga genética, que tenho 62,50% de origem italiana e 37,50% de origem brasileira. Da origem italiana, muito provavelmente exista genes judeus, gregos ou de outras etnias, já na brasileira tenho origens não identificáveis em porcentagem, de portugueses, espanhóis, franceses (0.390625), ingleses(0.390625) e de índios. Já minha origem africana provavelmente está entre 6,25% a 7,8125% e sobre ela posso concluir que minha mãe tem 15,63% de origem negra, minha avó Julieta tinha 25% e minha bisavó Maria Joana tinha cerca de 50% a 62,5%, posto que tinha um avô branco (João de Oliveria Cesar) casado com mulata (Escolastica Maria Cardoso) e outro casal de avós negros ou mulatos com provável parcela de ascendência branca, como muitos dos negros no Brasil que eram fruto da mistura entre brancos e negros, especialmente a origem paterna, já que era muito comum um branco se deitar com uma negra.
Concluindo, pelos meus bisavós facilmente vimos que minha ascendência é o mais fiel retrato da formação étnica do povo brasileiro, especialmente o paulista que na sua maioria, trás nas suas veias, a miscigenação de raças como as do índio, que inicialmente uniram-se a europeus (espanhol e português), mais adiante aos negros africanos e mais recentemente aos italianos e outros europeus, como os franceses.
Falando um pouco sobre a minha relação com a minha terra natal (Atibaia), se por um lado sou o primeiro Bedore nascido em solo Atibaiano, pela ascendência materna, faço parte de uma família com raízes nesta cidade que remontam a sua fundação, descendendo diretamente de três irmãos do fundador da cidade (Marcelino de Camargo, José Ortiz de Camargo e Mariana de Camargo), e, portanto, dos pais de Jerônimo de Camargo, bem como das famílias mais importantes e antigas de Atibaia: Siqueira Franco, Pires de Camargo, Alves do Amaral, Soares, Bueno, Pereira e Leite.
Através deste trabalho pude fazer uma viagem imaginária pela história de Atibaia, desde seus primeiros dias como um pequeno povoado nascido após os irmãos Jerônimo e Marcelino terem saído de São Paulo por brigas políticas e terem desbravado os sertões atibainos estabelecendo-se no planalto entre a serra Itapetinga e o rio Atibaia e ali iniciando a construção de uma das
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