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por alguns homens que o seguiam pelo sertão, fugindo de São Paulo, derrubou árvores, ergueu as primeiras casas, de taipa naturalmente, capela, etc e deveria ter ido pessoalmente ou através de emissários a São Paulo de Piratininga dar notícia de seu intento e buscar dentro de sua família e aliados políticos outros interessados na formação de uma fazenda e de uma nova povoação, o que não se deu em virtuda da célebre disputa política entre as famílias Pires e Camargo.

Não sabemos se seus irmãos estiveram presentes nos primeiros momentos do nascimento de Atibaia, mas é fato que estiveram presentes na formação do novo povoado. Naquela época, o Brasil era formado basicamente de brancos (portugueses, espanhóis, brasileiros, filhos desses), e de índios, chamados de negros da terra, e negros africanos, bem como, da mistura daqueles com esses, originando-se os mamelucos, mulatos, os primeiros paulistas, base da formação étnica de São Paulo. As famílias de maior poder aquisitivo e prestígio social e político, como a importante família Camargo de São Paulo, procuravam não se misturar, casando-se com famílias de igual posição social (político-financeiro) ou na falta disso, casando-se entre parentes.Portanto, a primeira família tradicional de atibaina não poderia ser outra senão a de seu fundador, Jerônimo de Camargo, seu patriarca, Marcelino de Camargo e seus irmãos, fihos (as), genros, sobrinhos, sobrinhos-netos.

Acreditamos que a geração de Jerônimo, ou seja, ele próprio e seus irmãos, após formarem o novo povoado de Atibaia retornaram a São Paulo de Piratininga, ou seguiram sertão adentro, formando outros povoados e fazendas, como é o caso de Jerônimo de Camargo que faleceu em Jundiaí. Já as segundas, terceiras, quartas e seguintes gerações, a partir de Jerônimo e seus irmãos, especialmente Marcelino de Camargo, o Patriarca de Atibaia, José Ortiz e Mariana de Camargo, por muitos ramos, radicaram-se em Atibaia, dando base, para as primeiras famílias ‘tradicionais’ da futura vila de São João Batista de Atibaia.

Salvo a família Pires de Camargo, (título II, deste trabalho), cujo sobrenome Camargo é originário do capitão Francisco de Camargo Pimentel que é filho do capitão Marcelino de Camargo, o sobrenome Camargo em Atibaia adquiriu, com o tempo, outros tantos sobrenomes como: Prado, Siqueira Franco, Franco, Campos Bueno, Bueno, Alves do Amaral, Alvim, entre tantos outros, de modo que muitos descendentes dos Camargos hoje carregam outros sobrenomes. O sobrenome Pires, da família Pires de Camargo, nada tem haver com os Pires, rivais dos Camargo na câmara paulistana.

TRONCO DA FAMÍLIA CAMARGO EM SÃO PAULO/SP

A família Camargo tem como tronco no Brasil: Jusepe (José) de Camargo, nasceu por volta de 1566 em Castrojeriz no antigo reino de Castela, hoje província de Burgos na Espanha que imigrou para o Brasil em 1587 iu 1588, estabelecendo-se inicialmente em São Vicente e logo em seguida em São Paulo e aí faleceu entre os anos de 1619. Jusepe era filho de Francisco de Camargo e Gabriela Ortiz, também naturais de Castela na Espanha, neto paterno de Luiz Dias de Camargo e de Beatriz de La Pena. A família de Beatriz La Pena era originária de Sevilha, Espanha e descendia do célebre navegante Afonso de Camargo. Jusepe de Camargo casou-se no Brasil com Leonor Domingues, falecida com testamento em São Paulo em 1630, filha de Domingos Luiz, o carvoeiro, cavaleiro fidalgo e de Ana Camacho, por essa, descendente de João Ramalho que foi casado com Izabel Dias, filha do cacique Tibiriçá, portanto, a descendência de Jusepe de Camargo que formou as primeiras e mais importantes famílias de Atibaia, descendiam de João Ramalho, português que encontrava-se no Brasil antes da expedição de Martim Afonso de Souza em 1531 e do cacique Tibiriçá, grande chefe indígena e do qual descendem muitos paulitas de raíz.

Jusepe era concunhado de Amador Bueno da Ribeira[1], pois as respectivas esposas (Leonor Domingues e Bernarda Luiz) eram irmãs, filhas de Domingues Luiz e Ana Camacho. Amador Bueno da Ribeira foi capitão-mor da capitania de São Paulo, aclamado Rei de São Paulo em 1641 pelo poderoso partido formado de influentes e ricos castelhanos (espanhóis), título que recusou, e com a espada desembainhada, deu vivas, como leal vassalo a dom João IV rei de Portugal, em quem restaurou-se a monarquia portuguesa, depois de 60 anos de sujeição ao domínio dos reis de Castela que durou de 1580 a 1640. Pela fidelidade e lealdade a coroa portuguesa e por outros serviços que prestou à pátria, legou um nome imorredouro à seus descendentes e recebeu carta do Rei. Jusepe de Camargo foi pessoa de muito destaque, respeito e autoridade na Vila de São Paulo, onde foi almotacel, vereador, juiz ordinário e juiz de órfãos. Seus filhos e descendentes, mantiveram o prestígio de seu progenitor e mantiveram as rédeas do governo paulista durante todo século XVII, revezando-se no poder com a também importante família Pires, descendentes de portugueses, as quais protagonizaram a célebre disputa entre os Pires e os Camargos, pelo controle político de São Paulo.

 


[1] Amador Bueno da Ribeira é avô em 12° deste autor (ver costado). Era filho de Bartolomeu Bueno da Ribeira, natural de Sevilha, Espanha que imigrou para o Brasil em 1571 e de Maria Pires [da família Pires, rival dos Camargos], casados em São Paulo em 1590, através deste casamento concluímos que as famílias portuguesas, lideradas pelos Pires e as espanholas, lideradas pelos Camargos, não tinham divergências políticas nas últimas décadas do século XVI e primeiras do século XVII; nos parece que a célebre disputa entre partidários dos Pires e dos Camargos, deu-se com o fim do domínio espanhol em Portugal, ou seja, a partir de 1640 e teve como marco inicial a morte de Pedro Taques em São Paulo.

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