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Após muitas pesquisas e consultas[1] realizadas a fim de descobrir o parentesco entre o capitão Jacinto e sua esposa chegamos a seguinte conclusão: Um bisavô ou bisavó de Jacinto ou de Umbelina era também avô ou avó de Jacinto ou Umbelina. Isto porque terceiro grau misto, quer dizer, bisneto do tronco; e segundo grau, quer dizer neto do tronco. Linha transversal é o mesmo que linha colateral e quer dizer que um mesmo tronco, ou por dois casamentos ou por adultério tem uma descendência paralela, ou seja, um dos ascendentes em comum entre Jacinto e Umbelina era bisavô ou bisavó de um dos conjuges e avô ou avó doutro conjuge.

Como Jacinto Manoel Leite fora exposto e escolhido por Angélica Maria, ou seja, fora criado pela avó de sua esposa e como desconhecemos o nome de seu pai, omitido na sua certidão de batismo, de casamento e em seu inventário, concluímos, sem nenhuma dúvida, que o parentesco que unia Jacinto e Umbelina era decorrente da família de Angélica Maria, do contrário ela não o teria criado, nem permitiria que ele casasse com uma de suas netas.

Quanto ao parentesco de Jacinto e Umbelina, nossa conclusão é a seguinte: Jacinta Pereira, mãe de Jacinto, era muitíssimo provavelmente meia-irmã de Angélica Maria, portanto, filha do segundo casamento de seu pai. Angélica Maria, portanto, seria tia materna de Jacinto e sua esposa seria então sua prima segunda.

Outro dado importante que nos fez chegar a essa conclusão, é o fato de Jacinta Pereira ter o mesmo nome de família (sobrenome) de vários irmãos de Angélica Maria, filhos do segundo casamento de seu pai, portanto, é muito provável que Jacinta Pereira fosse filha de Francisco Pereira Pacheco e de sua segunda esposa, Manoela Antonia, com quem se casou em 03.ABR.1808, esta filha do capitão João Leite de Moraes e de Felipa de Godoi, prováveis avós maternos do capitão Jacinto Manoel Leite e de quem certemente herdou o nome de família Leite.

Ou Jacinta Pereira era filha de Francisco Pereira Pacheco com Manoela Antonia, fruto de um relacionamento extra-conjugal, ocorrido antes do casamento de ambos que se deu em 1808, ou Jacinta foi a primeira filha do casal, nascida portanto, entre os meses de dezembro de 1808 e os primeiros meses de 1809, omitida no inventário de seu pai, por ter falecido antes de sua morte. Deste modo, Francisco Pereira Pacheco (tronco do título Pereira) era avô materno de Jacinto e bisavô materno de Umbelina, exatamente como é definido a relação de parentesco de ambos na certidão de casamento.

Das possíveis probabilidades de parentescos entre Jacinto e Umbelina, a relatada acima nos parece a mais provável e possível, pois compreenderia exatamente o parentesco descrito na certidão de casamento, segundo o direito canônico da época, por nós exaustivamente estudado.Portanto, a madrinha e ‘tutora’ de Jacinto Manoel Leite, Angélica Maria, uem o criou era também sua tia materna e avó materna de sua futura esposa.

Não se sabe qual a razão pela qual Jacinto fora exposto[2] na casa de sua tia materna, (talvez em razão da pouca idade de sua mãe quando o gerou ou por ter falecido no seu parto), nem tampouco porque o nome de seus pais não constou de seu batismo, mas é certo que a família de sua mãe que é a mesma de sua esposa, em razaõ do grau de parentesco citado no casamento. Também não temos dúvida da importância sócio-poltíca e financeira da ascendência de Jacinto em razão do patrimônio que constituiu, pela liderança política que exerceu e pelos casamentos de seus filhos com integrantes de famílias tradicionais de Atibaia. Quanto ao pai do capitão Jacinto, nada descobrimos, mas muito provavelmente fosse ele casado e membro da família Pereira, ou descendesse de algum Leite de Atibaia, ou de outra família antiga e tradicional, ou ainda fosse um padre, o que explicaria a omissão de seu nome, seja como for, nunca saberemos e é nossa maior frustação deste trabalho.

Entretanto, embora não temos maiores provas, não temos dúvidas que a razão do nome de família de Jacinto e seus descendentes ser LEITE, é muito provavelmente decorrente da família de sua avó materna (Manela Antonia), que era filha de Felipa de Godoi e do capitão João Leite de Moraes que juntamente com seu irmão Amaro Leite de Moraes, deram origem a todos os Leite de origem remota em Atibaia, a saber: os Pereira Leite do título Pereria, os Leite, deste título e os descendentes do capitão Antônio de Padua Leite, retratados, em parte, em diversos títulos deste trabalho.

Umbelina Maria da Conceição faleceu com inventário em Atibaia aos 06.MAR.1870 e foi sepultada no antigo cemitério do Santíssimo Sacramento. Enviuvando-se o capitão Jacinto casou-se pela segunda vez com Escolástica Maria da Silveira que faleceu aos 01.FEV.1872, viúvo novamente o capitão Jacinto casou-se pela 3ª vez Eulália Bueno de Aguiar irmã, entre outros, do tenente Feliciano Bueno de Aguiar, filhos deMaria Angelica da Cunha e do capitão Francisco Bueno de Aguiar que pode ser considerado o tronco da família Bueno de Aguiar de Atibaia ou seu filho Feliciano. Eulália faleceu aos 12.JUN.1919 com 75 anos está sepultada no cemitério do santíssimo.

Jacinto Manoel Leite teve 15 filhos com a primeira esposa, nenhum com a segunda e um com a terceira (Benedito Manoel Leite) e feleceu repentinamente do coração em Atibaia aos 04.AGO.1886, com 65 anos de idade e com testamento.

 


[1] Quem mais nos ajudou a traduzir o grau de parentesco entre Jacinto e Umbelina foi o culto Padre Xavier, residente há alguns anos no bairro do Alvinópolis.

[2] Segundo a certidão de casamento de Jacinto era “….elle filho exposto elegível de Angélica Maria..”  Segundo o Dicionário das Família Brasileiras, filho exposto é o filho abandonado, ou enjeitado. Aquele a quem seus pais, ou somente um deles abandona, ainda recém-nascido ou de pouca idade, para não assumir os encargos ou responsabilidades de seu nascimento, ou para fugir à vergonha ou desonra que de seu nascimento possa resultar. Como Jacinto fez questão de citar em seu testamento que era filho de Jacinta Pereira, concluo que, seja qual for a razão que levou sua mãe a expo-lo na casa de irmã que o criou não deve ter sido algo que fosse desonroso à sua mãe, muito provavelmente Jacinto era fruto de um amor proibido por razões que desconhecemos. Segundo o genealogista José Luiz Teixeira,Jacinto Manoel Leite provaelmente era filho de padre.

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