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Existem duas explicações diferentes para acompanhar o processo evolutivo que comprova a progressiva fixação do sobrenome na forma atual Bedore. A primeira invoca um vocábulo latino betuletum, bosque de bétulas. Os coletivos latinos, especialmente os relativos a vegetais, eram formados pelo acréscimo do sufixo- etum ao termo original. Assim de quercus, carvalho, forma-se quercetem, bosque de carvalhos, carvalhal; de pirum, pêra, deriva piretum, pereiral, plantação de pereiras; de vinea, vinha, parreira, forma-se vinetum, vinhedo, parreieral, etc. Assim também, de bétula, dediante o ascrécimo este sufixo, se forma o derivado beluletum, bosque de bétulas.

Existia uma localidade, pertencente ao antigo Ducado de Milano, hoje situada na Suíça, a poucos quilômetros da fronteira italiana, designada Bedoredo. Esta povoação foi assim chamada por ter surgido em área de marcante presença da bétula, cercada por bosques desta planta. A primeira notícia histórica documentada da localidade remonta ao ano de 1227. O documento taz a data de 23.MAIO.1227 e estabelece normas sobre o uso das pastagens públicas do Vale Leventina, no coração dos Alpes. No final do documento, o tabelião, chamado Valentius, transcreve os nomes de todos os representantes [mais de cem] de todas as povoações do vale, envolvidas e interessadas em proteger seus interesses comuns no pastoreio dos animais. Da longa nominata de cidadãos, aprecem estes da referida localidade “….et Jacobus fq Villani de Ronco de Bedoredo et Ambroxius fq Axervi de Gernario de Bedoredo pro se et pro comuni eorum vicinancie de Bedoredo…”, traduzindo: e Jacobus filho do tal Villanus de Ronco de Bedoredo e Ambroxius filho do tal Acerbus de Gernário de Bedoredo para si e para os vizinhos da comuna de Bedoredo.

Um outro documento, de 07.FEV.1297, um sacerdote recebe de um cidadão uma doação de grãos em benefício dos pobres da igreja de São Giorgio. O escrivão cita, no final do ato lavrado, as quatro testemunhas da doação, a primeira das quais era o vigário desta localidade, “Dom. Pbr Marchus de Bedoredo” (Senhor presbítero Marcos de Bedoredo). Um terceiro documento, datado de 02.JUL.1345, um cidadão presta queixa sobre outro que teria invadido uma área de pastagens, na qual não teria direito de levar suas vacas. O escrivão lavra o ato e, dentre as seis testemunhas, menciona um “Francischus fq Ambroxii de Vallare de Bedoledi”.

A localidade é mencionada muitas vezes e quase sempre como Bedoredo. A forma Bedoledi de 1345 denota uma variante popular da anterior ou o escrivão, ciente de sua origem etimológica de bétula, preferiu transcrevê-la desta forma. Esta pequena localidade se chama hoje de Bedretto, forma reconstituída após o século XVI. Através de uma volta ao latim betuletum, nota-se que a denominação atual conserva sua evolução para Betoleto e Dedoreto, mas altera-a, ao lheconferir como desinência o sufixo diminutivo – etto que não respeita o sufixo original latino,o qual não representa um diminutivo, mas um coletivo [como foi visto – etum]. A forma reduzida Bedretto leva a crer que subsistia, na fala popular, a variante Bedredo ou Bedreto, comcomitantemente com Bedoredo.

Acatando-se esta explicação, o sobrenome Bedore reflete o nome desta localidade ou sugere que o mesmo deriva diretamente de Betuletum, bosque de bétulas. O significado final do mesmo indica um cidadão natural desta localidade e, por esta razão, assim cognominado. Pode, no entanto, ser simples indicativo de cidadão que se dedicava à extração das riquezas proporciandas por esta árvore, como a casca,a seiva ou mesmo a madeira para a queima.

A dificuldade em aceitar esta explicação, segundo a maioria dos estudiosos do assunto, é que a redação de Bedoredo não resultaria Bedore, mas conservaria a sílaba tônica original, resultando Bedorè. De qualquer forma, não se pode excluir a possibilidade da supressão deste acento e do deslocamento da sílaba tônica, fatos que teriam levado o sobrenome a se fixar em Bedore. Estes fatos fonéticos são até freqüentes na onomástica e toponomástica italianas, embora não sejam tão usuais como os que presrnvam a acentuação ou tonicidade originais.

A segunda explicação recorre ao mesmo termo latino betula, betulla, mas não considera o sobrenome Bedore como resultante do derivado latino betuletum, Com efeito, Bedore seria resultande direto de betula, através dos dialetos mombardos e piemonteses que designam esta árvore com as formas bèdar, bèder, bèdra, bedero, bedere. Na vizinha Região do Trentino, esta planta é chamda, nos falares locais, de bedol.

Comprovam esta interpretação as várias cidades e localidades lombardas, cujos nomes derivam diretamente da denominaçãodesta árvore, todas situadas nas Províncias de Bérgano e de Varese. De fato, dentre as pequenas cidades, relembram-se as de Bedero Valcuvia e Brezzo di Bedero, ambas em território de Varese, próximas uma da outra e também próximas do Lago Maggiore. Além dessa duas, deve ser mencionada a povoação de Bedero Valtravaglia, pouco distante da última das duas cidades. Estas recordam, sem dúvida, seu surgimento em torno de bosques de bétulas ou em áreas de grande presença dessa árvore. Na realidade, este fato pode ser comprovado pelo grande número de outras localidades e cidades da região, cujos nomes reconstituídos possuem maior fidelidade ao termo latino original, como Bedole, Bedulita, Beduzzo, Bettola [oito, no total], Bettole [cinco], Bettolino, Betule, etc. Cumpre salientar que todas estas localidades se situam nos territórios da Lombardia e do Piemonte, áreas em que, como já foi visto acima, o sobrenome Bedore ocorre com relativa freqüência.

Esta explicação difere da primeira somente com relação à origem etimológica do sobrenome, invocando o termo latino betula, desprovido do sulfixo coletivo – etum. No tocante a seu significado final, permanece idêntico, uma vez que reconduz à mesma origem espacial [cidadão oriundo de uma destas localidades ou de áreas cobertas de bétulas] ou à mesma atividade de extração das riquezas propiciadas por esta planta.

A segunda teoria reconduz o sobrenome Bedore a uma origem tipicamente francesa, afirmando que o mesmo teria sido,em época nãodeterminada (lembramos que o primeiro ducumento que aparece o sobrenome na Itália é em 1598 em Ospedaletto), introduzido no norte da Itália por algum membro desse tronco familiar francês. Esta teoria invoca outras origens

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