Paulo. Foi sargento-mor por quatro anos, pois em 1775 fora nomeado ao posto de 1º capitão-mor da vila de Atibaia, posto que exerceu duerante oitos anos, até a sua morte em 1783.
Embora descendesse da importante família Pires[1] de São Paulo, Lucas de Siqueira Franco, casou-se com uma descendente da também importante família Camargo[2], da qual foi representante e líder dessa família tanto na câmara paulistana nas décadas de 1740 a 1770 como na vila de Atibaia. Portanto, Lucas de Siqueira Franco foi casado com Izabel da Silveira Camargo[3], filha do capitão Francisco de Camargo Pimentel (filho de Marcelino de Camargo, o Patriarca de Atibaia) e de Izabel da Silveira Cardoso, e sobrinha-neta de Jerônimo de Camargo,considerado o fundador de Atibaia.
Era filho do capitão Ignácio de Siqueira Ferrão[4], falecido aos 20.MAR.1747 e sepultado na matriz de Atibaia, quefoi primeiro casado com Catarina Pereira, viúva de José Peres Calhamares, filha de João Pereira de Avellar e de Maria Leme do Prado em Tit. Prados Cap. 6° § 1º, 2-4, 3 com teve três filhos: João e Joana mudos e Maria e 2ª vez casou-se com Catarina Franco do Prado, falecida em 1750 em Atibaia, viúva do coronel Antônio da Rocha Pimentel, filho do capitão Lourenço Franco Viegas e de Izabel da Costa Santa Maria (SL Tit. Lemes cap. 1° § 9°), com quem teve um único filho e tronco deste título.Do casal Lucas de Siqueira Franco e Izabel da Silveira Camargo descendem 13 filhos (capítulos deste título Franco):
Capítulo 1º Inácio de Siqueira Pimentel (meu eneavô)
Capiítulo 2º João de Siqueira Pimentel
Capítulo 3º Antônio de Siqueira Franco
Capítulo 4º Francisco da Silveira Franco – 2° capitão-mor de Atibaia
Capítulo 5º Lucas da Silveira Franco
Capítulo 6º Joaquim de Siqueira Franco
Capítulo 7º Ana Franco Cardoso
Capítulo 8º José de Siqueira Franco – 3° capitão-mor de Atibaia
Capítulo 9º Escolástica Franco
Capítulo 10º Maria Gertrudes Franco
Capiítulo 11º Messia de Siqueira
Capítulo 12º Gertrudes Franco
Capítulo 13º Antonia Franco
Capítulo 1º
Inácio de Siqueira Pimentel
Capitão Inácio de Siqueira Pimentel erao primogênito do 1º capitão-mor de Atibaia. Em 1775 ocupava o cargo de ajudante no corpo militar de Atibaia. Em 1781 era procurador da câmara municipal e em 1783 foi promovido a capitão[5]. Casou-
[1] Lucas era tetraneto de Francisco Nunes de Siqueira e de Ana Pires de Medeiros, filha do tronco da família Pires de São Paulo, Salvador Pires, português, natural do Porto que chegou ao Brasil junto com Martim Afonso de Souza em 1532.Portanto, o casamento de Lucas de Siqueira Franco com Izabel da Silveira Camargo (sobrinha-neta de Jerônimo e neta de Marcelino de Camargo) uniu em solo atibaiano as duas famílias que lutram entre si pelo poder paulistano entre 1640 a 1722 aproximadamente.
[2]As duas famílias: Pires e Camargos eram fortes rivais na disputa política da vila de São Paulo, cujo ápice da briga política deu-se entre os anos de 1640 a 1665 aproximadamente. Ver História da cidade no capítulo 4° da segunda parte deste trabalho.
[3]Izabel da Silveira Camargo era filha do cap. Francisco de Camargo Pimentel, falecido em Atibaia em 1724, e de Izabel da Silveira Cardoso, falecida em 1739; neta paterna do cap. Marcelino de Camargo, o PATRIARCA DE ATIBAIA e irmão de Jerônimo de Camargo, fundador de Atibaia e de Messia Ferreira Pimentel Tavora; neta materna de Salvador Cardoso de Almeida, falecido em 1690, e de Ana Maria da Silveira (SL 1/335), ver a Introdução deste título.
[4]Inácio de Siqueira Ferrão era filho de João de Siqueira Ferrão, falecido em 1725, natural de Portugal que foi morador e proprietário de uma grande fazenda em Conceição de Guarulhos (hoje simplesmente Guarulhos) onde tinha sob sua administração grande quantidade de índios e de Ana Maria de Siqueira, esta filha de Franscisco Baldaya que foi 1º marido de sua mãe Maria Vidal, falecida em São Paulo em 1687. Ana Maria de Siqueira era neta paterna de Miguel Sobrinho e de Maria Veiga e neta materna de Pedro Vidal, natural de S.Paulo, [filho de Alonso Peres Cavalhares, natural de Castela, Espanha e de Maria Afonso (SL 1/12)] e de Mecia de Siqueira, falecida em 1648 em São Paulo, filha de Francisco Nunes de Siqueira, natural da vila de Caminha,que foi escolhido repesentante da família Pires para o encontro com o governador geral em 1654 que visava por fim a disputa entre Pires e Camargo e de Ana Pires deMedeiros, falecida em 1668 em São Paulo com testamento, filha do tronco do título Pires de Silva Leme, volume 2º, Salvador Pires, que chegou ao Brasil com Martim Afonso de Souza em 1531.
[5]A patente de capitão, será citada muitas outras vezes neste trabalho, razão pela qual tentarems explicar sua função. Em linhas gerais a patente de capitão pode ser encontrada em duas funções e atribuições, de certo modo semelhantes, mas em duas épocas e ordenamentos militares diferentes: 1) Capitão de Milícias (entre 1796 a 1831 – período colonila) [caso de Inácio acima] e 2) Capitão da Guarda Nacional (entre 1831 a 1918 período imperial e velha república). 1) Capitão de milícias (infantaria e artilharia) fazia parte dos regimentos de milícias criado por decreto de 07.AGO.1796 por D. Maria I, rainha de Portugal. Era indicado pelo coronel que indicava o “official que tenha os precisos meios para manter o decoro de um posto não autorizado”. A idade dos capitães variava de 28 a 60 anos e de preferência eram nomeados dentre os que antes haviam ocupado cargos subalternos, como simples soldados, outros como alferes, porta-bandeiras, furriéis ou sargentos, tendo a maioria, pelo menos, treze anos de serviços nos regimentos da capitania. As atividades particulares dos capitães, em sua maioria, era a do comércio de “fazenda seca (mercadorias, gêneros), tropa de animais” ou “subsistiam de suas lavouras e de seus engennhos de assucar” ou ainda de aluguéis. Poucos viviam de seus honorários de funções públicas como as de “escriturário ou contador da junta real da fazenda. O Estado maior era composto por: mestre de campo (coronel), o sargento-mor e o ajudante e cada companhia por um capitão, um alfres, um sargento e 4 cabos de esquadra.. Os postos de capitão, tenente e alferes eram considerados oficiais de patentes das companhias dos terços e regimentos de infantaria ou de cavalaria auxiliar. Os postos de sargento, furriel, porta-bandeira e cabo, compunham o quadro de oficialato inferior das mesmas companhias de infantaria e cavalarias auxiliares (Dicionário das famílias brasileiras de Cunha Bueno e Barata Ribeiro e Raízes do Militarismo Paulista de Oliveira Melo). 2) Capitães da Guarda Nacional. Antes de tratar sobre a figura do capitão da guarda nacional é importante discorrer um pouco sobre a Guarda Nacional: Foi criada pelo regente Feijó aos 18.AGO.1831 para, entre outras coisas, extinguir os antigos corpos de milícias e ordenanças e acomodar as elites locais (classe proprietária = fazendeiros) nas altas patentes e seus empregados nas tropas que em tese auxiliariam o exercíto brasileiro na segurança nacional. Somente podiam ser oficiais os que fossem eleitores, lembrando que o voto era sensitário, portanto, somente podeim ser oficiais, os que, nas cidades menores, tinham renda de, no mínimo, 100 mil réis anuais e com idade entre 18 a 60 anos e nas cidades maiores os que tinham rende superior a 200 mil reis anuais. A Guarda Nacional foi extinta oficialmenete em setembro de 1918. Em linhas gerais e simplistas podemos dizer que as cidades tinham um ou mais regimentos e algumas companhias, dependendo de seu tamanho, e o alto comando da guarda era composto por: Coronel, Tenente-coronel e Major, já cada companhia tinha como comandantes: um capitão, um alferes e um tenente. O capitão comandante da companhia escolhia os seus auxiliares, indicando para aprovação os homens mais habilitados e desvinculados de todo e qualquer tipo de “ocupações indignas dos respectivos postos, como por exemplo a de taberneiro público. Por sua vez o capitão era indicado pelo comandante do terço ou regimento, por proposta encaminhada ao governador. Os oficias das companhias auxiliares viviam de seus negócios, eram na proporção de seus postos fazendeiros, sitiantes, comerciantes, mercadores, tropeiros, enfim viviam de seus ganhos nas suas atividades particulares. e dedicavam-se, quando necessário à manutenção da ordem pública, à captura de escravos foragidos, de criminosos, bem como quem desobedecesse as ordens superiores e a lei. Os capitães da guarda nacional como: Jacinto Alves do Amaral (cap. 5º do título Alves do Amaral), Jacinto Manoel Leite (tronco do título Leite), Antônio José de Freitas (tronco do título Freitas) e tantos outros citados neste trabalho eram via de regra, abastados fazendeiros, que viviam de suas propriedades rurais repleta de escravos, ou tropeiros e também serviam as milicias na qualidade de capitães, a maior autoridade militar das companhias, auxiliado por tenentes, alferes, sargentos, etc.
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