contudo, constatar que sua presença mais significativa se concentra na Província de Padova, no Vêneto, nas demais Regiões ocorre de forma ocasional e dispersa[1].
Um levantamento efetuado nas listas telefônicas de 1996/97 de todas as Províncias italianas apresentou um resultado condizente com quanto foi afirmado no parágrafo anterior. De fato, o sobrenome se distribui em restritas e dispersas áreas do extremo norte da Itália, ocorrendo sempre com índices de freqüência baixos. A principal exceção se relaciona com a pequena concentração no Vêneto, localizada aos sul da cidade de Padova (ver Bedores na atulaidade na Itália, Capítulo 3, atrás).
Cumpre salientar que o nome de família Bedore ocorre nas áreas de grande influência fancesa no norte da Itália. O Piemonte ainda fala seus dialetos de forte influência francesa. O mesmo ocorre com a Lombardia, a Ligúria e a Emília-Romanha, Regiões que foram habitadas pelos francos desde o século VIII e tiveram influxos e dominações da França por quase um milênio. Além disso, a política medieval desses Feudos, Repúblicas, Ducados e Condados giravam em torno dos interesses franceses. Com relação ao Vêneto, a influência francesa ocorreu através da literatura de cordel e das relações comerciais com a Provincia. Este fato pode ter determinado a forma final do sobrenome ou, como querem alguns, o mesmo sobrenome teria sido importado da França,no período medieval, fruto dessa influência e dessas realções políticas e econômicas. Este mesmo fato teria ainda determinado sua dispersão nos terrritórios setentrionais. Como já foi assinalado, não existe, como efeito, uma área geográfica em que se verifique uma concentração consistente e significativa do sobrenome. Excetuando-se a pequena área paduana, onde so índices de freqüência também não são muito expressivos, o sobrenome ocorre de modo de todo ocosional e disperso[2].
Dentre os 105 municípios paduanos, o sobrenome Beodore (em 1996/97) foi constatado nos seguintes: Carrara Sna Giorgio (02), Stanghella (5), Vescovana (2). Nota-se que no município de Ospedaletto Euganeo,pouco distante destes e de onde partiram os antepassados do requerente [Adriano Bedore], o sobrenome não consta[3].
SUAS ORIGENS LINGÜISTICAS E HISTÓRICAS
Sob o ponto de vista lingüistíco, o nome de família Bedore é um vocábulo composto por dois elementos distintos que serão analisados a seguir. Cumpre salientar que esta composição foi motivo de diferentes explicações e interpretaçãoes. A primeira segue uma linha italiana e interpreta este sobrenome como de origem latina, tendo-se formado no idioma italiano arcaico, detectando-se uma série de variações e modificações através dos séculos[4], até atingir a forma final de atual. A segunda hipótese também recorre ao latim, mas afirma que o sobrenome se teria formado em território francês, tendo sido introduzido na Itália através da migração de algum ou alguns membros desse tronco familiar que se estabeleceram em definitivo em território italiano em épocas passadas.
A primeira teoria,tipicamente italiana, incova o termo latino betula ou betulla para explicar este sobrenome.O vacábulo aparece, na literatura latina, ocasionalmente. Ressalta-se a passagem da obra Naturalis Historia [16,176] do historiador Caius Plinius Secundus (23-79 dC), na qual elogia as priopriedades desta árvore,especialmente de sua casca. A bétula, árvore que alcança até 30 metros de altura, é típica de solos pobres e forma densos bosques nas colinas e montanhas européias. Da família das betuláceas, seu nome científico é bétula verrucosa; suas folhas sãopequenas, alternadas e dentadas e suas flores se agrupam em cachos. Sua madeira era usada quase unicamente para a queima doméstica, mas sua casca, facilmente destacável de seu tronco, era amplamente utilizada, desde a época dos romanos, para a extração de um tipo de óleo medicinal, muito usado também em massagens por seu perfume suave e delicado. Da mesma casca, se extraía também um tipo de tantino, próprio para curtir peles e couros. Além disso, sua seiva cristalizada era usada como adoçante e da mesma ainda se produzia um tipo de licor. Sua maior importância econômica,porém estva ligada ao óleo e ao tanino que fornecia, com suas propiedades e finalidades assinaladas, ambos já conhecidos e extraídos na época dos romanos.
Além de bétula, em Portugal é chamada também de vidoeiro, denominação que deriva diretamente da foram latina medieval betularium, bosque de bétulas. Através de sucessivas alterações fonéticas, o nome da planta evoluiu para betulario, bedolairo, bedoleiro, vedodeiro, vedoeiro, vidoeiro. Esta denominação portuguesa se aproxima, em termos gerais, da evolução italiana que dará origem ao sobrenome em análise, BEDORE.
[1]Não podemos nos esquecer da numerosa família Bedore pesquisada por mim na paróquia de São João Batista de Ospedaletto revelando-nos que essa família, viveu naquela região por mais de quatro séculos [encontramos Bedores de 1598 a 1996 naquela cidade], o que corrobora mais ainda com a conclusão do autor desse trabalho.
[2]Na atualidade, posto que até, aproximadamente meados do século passado, como ficou provado através das minhas pesquisas, o sobrenome Bedore teve forte concentração na cidade de Ospedaletto Euganeo, ver Capítulo Bedores de Ospedaletto] [na atualidade, posto que até, aproximadamente meados do século passado, como ficou provado através das minhas pesquisas, o sobrenome Bedore teve forte concentração na cidade de Ospedaletto Euganeo, ver Capítulo Bedores de Ospedaletto.
[3]de fato, no que pese a grande quantidade de Bedores que viveram em Ospedaletto nos séculos XVI a meados do século XX (que conseguimos comprovação), hoje não há ninguém que carregue esse sobrenome; há sim descendentes de Bedores, mas não ostentam o sobrenome.
[4] É interessante notar que o documento mais antigo, por mim pesquisado, que aparece o sobrenome Bedore tal qual vê-se hoje data de 30.AGO.1598 e trata-se do casamento de Vicenzo Bedore com Fiori Curello, naturais della Torre (localidade entre Ospedaletto Euganeo e Este).
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