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O elemento central deste sobrenome se reporta ao nome próprio Carlo. Este antropônimo é uma adaptação do nome germânico Karl,o qual possuía grande prestígio e tradição entre os francos (povo que ocupou a França atual e que era de etnia germânica). A origem do nome Karl remonta,por sua vez, ao vocábulogermânico Karla, cujo significado era, originalmente, homem de condição livre, em contraposição escravo, servo, a prisioneiro de guerra. Entre os francos assumiu depois também o significado de mestre do palácio real e, portanto, alto funcionário da corte, homem deconfiança do rei, do príncipe. O nome derivado deste vocábulo se constitui, desde o início,como um antropônimo de prestígio derivado de sua própria origem eimológica. Internvém depois um outro fator histórico que o difunde em toda a Europa e lhe confere um prestígio ainda maior.

Torna-se necessário recordar os fatos históricos que preecederam a queda do Império Romano e aqueles que se seguiram nos primeiros séculos depois da mesma. Os povos germânicos da fronteira setentrional do Império ameaçavam penetrar no território romano desde o século III depois de Crsito. Com a queda do Império em 476, por obra de Odoacro, rei dos Hérulos, os antigos territórios romanos tornaram-se palco de correrias de povos bárbaros pelo menos durante três séculos. Os francos, os alamanos, os godos, os ostrogodos,os visigodos, os burgúndios, os lombardos, os suevos e outros buscam estabelecer-se em áreas propícias e naquelas mais ricas da península itálica, centro do antigo Império Romano. Interessam, de modo particular por seu amplo e duradourodomínio, as invações dos longobardos e dos francos. Os primeiros conseguem se estabelecer na Itália no ano 568 com a vitória sobre os visigodos e fundam seu reino com sede em Milão e Pavia. Dividem o território em ducados para melhor administrar a região conquistada. Aderem ao cristianismo como religião e, como conseqüência, assumem a língua latina como sistema lingüístico de comunicação, mas conservam seus usos e tradições de povo nórdico.São os francos,porém, que determinam o futuro da Itália, cujas conseqüências sócio-políticas e culturais se sua coupação permanecem até hoje.

Os francos eram um povo germânicoque coupava áreas da atual Alemanha. Em 258, antes da queda do Império Romano, irrompem no território deste e ocupam parte da Gália Transalpina [atual França].

Espalham-se neste território lentamente, até o advento do rei Clóvis [481 – 511] que submete os alamanos em 496,os burgúndios em 499,os visigodos no ano 507 e se apodera de toda a Gália Transalpina. Os francos impõem sua cultura, sue modus vivendi, suas leis de tal modo que o patrimônio cultural dos povos submetidos desaparece. A Gália muda de nome depois e se torna a França, ou seja, o país dos francos. Em 768, sobre o trono Carlos Magno que consegue unificar toda a França, conquista depois a Gália Cisalpina [todo o norte da Itália] que estava em poder dos longobardos e funda, no ano 800, o Império do Ocidente. Coroado Imperador pelo Papa,Carlos Magno aceita o compromisso de proteger o território italiano contra eventuais invasões de outros povos; esta proteção durará quase oito séculos,isto é, até inícios do século XVI.

Carlos Magno reestrutura a divisão político-administrativa do norte da Itália e sob sua jurisdição direta, respeitando parcialmente as instituições já radicadas dos longobardos. O território é dividido em principados e feudos. Nos confuns, são estabelecido as Marche. O vocábulo germânico mark, nocontexto político-administrativo, determinava os territórios confinantes que mereciam uma especial atenção com relação à estrutura defensiva. As marche se transformam nos baluartes de proteção e de defesa de todo o território. Os francos as instalaram em quase todos os confins de seus domínios. Conferiram-lhes um status especial e nelas construíram estruturas de defesa como castelos, muralhas, fortificações de todo tipo e nelas estabeleceram exércitos numerosos. Esta forte estrutura administrativa e defensiva dos territórios conquistados permite deduzir com facilidade a grande influência que o povo dos francos teve em toda a Itália. Fácil é também deduzir a grande penetração e a assimilação dos usos, costumes e tradições deste povo. O processo de aculturação foi inevitável e atravessou os séculos, chegando até nossos dias.Um exemplo típico deste fato é suficiente para elucidar este grande influxo franco. Enquanto o norte ocidental da Itália, no que se refere aos falares dialetais ou regionais,é classificado extamente como galo-itálico ou franco-itálico,o norte oriental conservou o sistema adminsitrativo francoaté a época daunificação italiana [1870].Este forte influxo francoinvade e se dilui em todas as estruturas sociais da Itália, penetra e provoca mudanças substanciais em todos os aspectos da vida, da cultura e da política italiana, em muitos destes aspectos ainda marcante hoje em dia.

Um outro fato, fá citado acima, determina a difusão do nome Karl, Carlo. O grande responsável pela propagação deste antropônimo foi, sem dúvida,o Imperador Carlos Magnoi. Karl tornou-se nome de grande prestígio e respeito; em decorrência, de grande aceitação popular. Em documentos do século VIII já se econtra este nome latinizado sob a forma Carolus, com as variantes Carlus e Carlonus. Sabe-se que todos os povos que invadiram a Itália foram cristianizados e assumiram a língua latina como sistema lingüístico de comunicação supra-ética,seja porque o mesmo idioma era imposto pela Igreja de Roma.

A grande difusão deste nome per direito influxo da pessoa de Carlos Magno é comprovada por dois fatos hiostóricos. O primeiro se ralaciona com a dinastia dos Merovíngios, da qual fazia parte o prórpio Carlos Magno; depois de sua morte,esta dinastia teve sua denominação mudada e foi desiganda de Dinastia Carolíngios, em honra deste Imperador. O segundo fato não é senão um dado estatístico; de fato, as páginas da história medieval trazem grande número de Reis e Príncipes de toda a Europa com o nome Carlos, relembrando a figura do fundador dos Carolíngios.

            É suficiente recordar somente alguns destes, especialmente aqueles que reinaram até o século XVI, considerando período limite para a formação e fixaçãodos sobrenomes italianos modernos. Antes de Carlos Magno, convém relembrar Carlos Martelo [714 –741], Rei dos Francos. Depois de Carlos Magno se sudedem na França os seguintes Reis com este nome: Carlos I,o Calvo [898 – 877], Carlos II, o Gordo [884-887], Carlos III, o Simples [898-922], Carlos IV, o Belo [1322- 1328], Carlos V, o Sábio [1364-1380], Carlos VI, o Insensato [1380-1422], Carlos VII [1422-1461], Carlos VIII [1483-1498]. Em Flandres [Bélgica e Holanda], recorda-se São Carlos, o Bom [1119-1127]. No Reino de Nápolis, reinaram Carlos I d’Anjou [1266-1285], Carlos II,o Coxo [1285-1309], Carlos III que era também Rei da Hungria [1382-1386]. O elenco poderia se estender com a citação dos

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